Em meio a manifestação de centenas de funcionários, professores e estudantes, PM e Polícia Federal efetuam prisões, usam balas de borracha e bombas para repelir membros da comunidade universitária que contestam re
28 de Agosto de 2014 às 18:21:42A lei que criou a Ebserh significa um ataque frontal ao artigo 207 da Constituição Federal, que trata da autonomia universitária. Com a Ebserh, os hospitais deixam de ser espaço de ensino, passando a integrar um cenário conduzido pela lógica empresarial, em contraposição à natureza universitária, quebrando o princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.
Tem-se claro que este discurso de adesão é um eufemismo utilizado para ocultar o projeto do Executivo Federal de apartar definitivamente os hospitais universitários das universidades federais. A Ebserh, consiste, a bem da verdade, em transferir o patrimônio das universidades para uma empresa pública, mas de direito privado, que, em última análise, significa a mercantilização da saúde e da educação.
Coun da UFPR votou a favor da gestão compartilhada, foram 31 votos contra 9.
Esta foi a terceira tentativa do conselho para tentar aprovar a adesão.
Thaís Skodowski e Thais KaniakDo G1 PR

O Conselho Universitário (Coun) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) aprovou a gestão compartilhada do Hospital de Clínicas (HC) de Curitiba e da Maternidade Victor Ferreira do Amaral com a Empresa Brasileira de Recursos Hospitalares (Ebserh) por 31 votos contra 9. A decisão foi tomada na manhã desta quinta-feira (28). A reunião, que foi marcada por confusão, teve a presença de 40 conselheiros - alguns membros estavam na Sala dos Conselhos e outros no HC, onde participaram por videoconferência. Após o resultado, manifestantes tentaram invadir a Reitoria da universidade, segundo a UFPR.

reunião por integrantes do Sinditest, segundo a
UFPR (Foto: Edi Carlos / RPC TV)
A Polícia Federal(PF) e a Polícia Militar (PM) foram até o local. Com a confusão, foi necessário o uso de balas de borracha e de bombas de gás lacrimogêneo, conforme a PF. Há registro de feridos e um homem precisou ser encaminhado ao hospital. As ruas do entorno da Reitoria foram fechadas pelos manifestantes.
Um estudante de Cascavel foi preso por constrangimento ilegal, agressão a três pessoas - sendo dois vigilantes e um policial -, resistência e desacato, de acordo com a PF. Ele está detido na superintendência da Polícia Federal à disposição da Justiça.
Depois da votação, a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau Público de Curitiba (Sinditest), Carla Cobalchini, afirmou ao G1 que "a luta continua". Para o sindicato, a decisão é ilegal porque foi feita por videoconferêcia e não foi pública.
Segundo a UFPR, vários conselheiros foram impedidos de entrar na reunião por integrantes Sinditest, e a sessão chegou a ser interrompida por 30 minutos pelo reitor Zaki Akel Sobrinho por falta de quorum. O sindicato nega que impediu a entrada dos conselheiros.

confusão (Foto: Thaís Skodowski / G1)
No começo da manhã, a Polícia Federal , responsável pela segurança, utilizou spray de pimenta para dispersar manifestantes que formavam um cordão de isolamento e tentavam impedir a entrada dos conselheiros.
Esta foi a terceira tentativa do Coun de apreciar a proposta. Nas outras duas ocasiões, protestos de funcionários impediram que a sessão fosse realizada barrando a entrada de parte dos 63 conselheiros com direito a voto. Para esta reunião, a UFPR obteve na Justiça a garantia de que os conselheiros poderão entrar no prédio, sob pena de responsabilização do Sinditest. A multa estabelecida é de R$ 10 mil por conselheiro barrado. Caso a reunião não ocorra por impedimento do sindicato, o valor da multa deve ser de R$ 100 mil.
A UFPR começou a transmitir a reunião pela internet e pelo canal de televisão da universidade, mas no momento da votação, a transmissão foi interrompida. De acordo com a UFPR, houve uma queda de energia.
Impasse

A medida é vista com desconfiança pelo sindicato que representa os trabalhadores do HC contratados pela Funpar. Eles temem que, com a gestão compartilhada, os cerca de 900 trabalhadores já contratados possam ser demitidos, assim que o contrato seja assinado. Eles foram contratados sem concurso público.
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O HC é o maior hospital público do Paraná e atende mais de um milhão de pessoas por ano. Atualmente, conforme a UFPR, a unidade possui um déficit de 600 funcionários. Devido a decisões judiciais, a universidade só pode realizar novas contratações se fizer concursos públicos.
Segundo a UFPR, a aprovação da cogestão com a Ebserh representará a contração de 2.063 servidores - ampliando o número de leitos de 250 para 670, retomando serviços médicos suspensos e triplicando o número de consultas.



Bomba não explodiu (Foto: Thais Skodowski / G1)
